segunda-feira, 28 de setembro de 2009

meias rotas,

...Passam os dias seguidos de uma chuva fina,
sentada a coser as meias de quilometros de venda,
não compro mais, só porque se calhar estas chegam até parar,
não é que não ande mais mas posso deitar-me e não querer mais,
já não se vende como se vendia, agora não gostam de flores nem pássaros,
os bordados que tanto trabalho deram agora desdenham e não compram,
para quê comprar mais meias se o único uso da agulha é coselas,
sei que sou velha e os meus trapos vão ficando mas aquelas cousas novas não têm sentimento,
como uma arvore que se planta e se colhe o fruto com prazer agora estragam a fruta mais bonita que não sabe a nada,
por isso, posso deitar-me e não apetecer levantar, fecho os olhos e bordo as minhas flores que voam com os pássaros que as levam,
amanhã se não chuver levo esta saca e digo que não vendo as cousas de dentro, que não tem preço, que já não preciso de comer nem de usar meias novas, porque trago comigo o que chega para saber de mim...
 

2 comentários:

duARTEE disse...

conheço uma pessoa muito especial, com jeito para a musica, dado a novas tecnologias, dá umas pinceladas com muita originalidade, tirou eng. mecânica mas exerce eng. civil e escreve estas pequenas maravilhas

sempre a considerar

analuE disse...

E melhor ainda é um amigo à maneira...