quinta-feira, 24 de março de 2011

A oposição que somos
Quando o PS pediu reuniões com a oposição parlamentar para tentar um compromisso que desse estabilidade à acção governativa, ocorridas em Outubro de 2009, nenhum partido aceitou qualquer tipo de acordo, por mínimo que fosse. O Executivo teria de governar em minoria, sujeito ao capricho dos líderes que perderam as eleições. De imediato se constatou a disfuncionalidade de tal situação, ficando o PSD como penhor da viabilidade do Governo PS. Nessa altura, Ferreira Leite garantiu que iria deixar passar o Orçamento para 2010, só abandonaria o barco após concluir essa missão. Cavaco aceitou e aplaudiu. Chegados ao Orçamento para 2011, já com Passos a marcar passo, alimentou-se um drama apenas resolvido por força das circunstâncias: havia que garantir a reeleição do Presidente da República. Assim que Cavaco fechou esse ciclo, logo na noite da vitória eleitoral, começou a lançar fogo para cima do Governo. O que se seguiu em Belém depois do fel e desvario emocional de 23 de Janeiro, para espanto de toda a gente incluindo os seus apoiantes, tem vindo num crescendo de violência e irresponsabilidade institucionais.

É sintomático que não nos lembremos de nenhuma condição invocada por algum partido da oposição para a partilha da responsabilidade governativa. O PCP não pediu uma nova reforma agrária ou o aumento da produção à sua moda, o BE não disse que governava se pudesse sacar o dinheiro aos bancos e aos ricos, o PSD não reclamou a expulsão de Sócrates do PS e o CDS não exigiu o recrutamento de um milhão de polícias. Nada de nada propuseram, estavam unidos no asco aos socialistas. À esquerda, porque precisam de inimigos impossíveis de vencer, logo permitindo uma luta que nunca poderá acabar. À direita, porque os fidalgotes falhos de inteligência e coragem estão condenados a serem vazoudoros dos ódios nascidos da sua impotência.

A oposição continuou até esta quarta-feira a tentar boicotar a governação de todas as formas disponíveis, indiferente às consequências que são evidentes. Atingiu nessa irracional tarde o cúmulo da negatividade ao impedir Portugal de continuar a resistir à tempestade financeira internacional, sem se ter dado sequer ao trabalho de apresentar qualquer alternativa em defesa do interesse nacional.

Que grande lição, e não só de política.

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