terça-feira, 23 de março de 2010

O andar de cima

... queria muito,
ouvia risos e passos, cá em baixo estava contente mas continuava
insatizfeito, soube que acima a casa vagara, fui ao senhor e perguntei qual
a bitola da porta, respondeu que eu faria a medida, pensei e voltei lá...
questionei o que queria e dei o pretendido, fiz dois golpes
nos pulsos e entreguei um balde de sangue, agradeceu e fiquei
com as chaves.
Entrei, estava vazia, meio tonto observei que as portas estavam fechadas e com vicio de fecho,
lubrifiquei as dobradiças e calcei as aduelas, fiquei à espera que se movessem,
pareceram-me bem, saí, fui buscar as minhas coisas, abaixo, o quarto continuava quente e farto,
subi carregado e sem forças, as portas estavam novamente fechadas, coloquei cunhas
em cada uma delas, na medida necessária apertei as juntas e varri o chão que abundava
de pegadas.
Cansado; dormi desconfortável no chão, habituado a sentir as coisas pequenas agora o grande espaço abraçava o quente que saia de mim.
Acordei em madrugada cinza vesti o azul e saí, permaneci longe, distraído nos afazeres que apelavam, demorei-me,
doiam-me os pulsos as pernas tremiam o corpo alucinava, tinha de voltar, subi, parei em
frente ao antigo andar, notei na porta aberta e entrei, estava cheio de caixotes fechados,
subito oiço o senhor que diz ter feito um bom negócio, um conto com boa história vende sempre repete, agradeço a oportunidade e subo.
A casa estava fria, escolhi o quarto e nú deitei-me no chão,
esperei que a madrugada viesse azul para vestir o cinza...

3 comentários:

Eu disse...

É por isso que queres camisas azuis?...

Anónimo disse...

mais vale descer dois andares para subir ao topo

duARTEE disse...

que agitação nesse "prédio" teu