terça-feira, 5 de setembro de 2006

PAIternidade_1ª

tenho andado, com o passar do tempo e com os meus filhos a crescerem nesse processo imparável, a pensar mais e mais nisto que é, ser PAI. lembro-me de quando soube que ia ser PAI, da imensa euforia à mistura com o enorme medo que me invadiram. lembro-me do episódio que se passou uns 15 dias antes do gustavo nascer. foi a meio da noite (como sempre costuma ser), acordo com aquela dor no peito em estado de não suportar que me leva ao hospital. exames feitos, ah e tal isso é ansiedade e coiso nervoso e não sei quê (esta foi fedorenta). resumindo, andava cheio de medo dessa responsabilidade, desse vínculo mais forte à vida. ainda para mais, trazia do meu passado mais uma (entre milhões) dessas tristes histórias de pais separados, que desenvolvem para a ausência de pai, incomunicabilidade entre ambos, enfim, ingredientes q.b para ainda estar aqui hoje com estas merdas todas. e já lá vão 40 anos! e também já lá vão 5 anos que sou PAI. não só PAI de um, mas de dois, sendo que ao segundo já não fui parar ao hospital. 5 anos de PAIternidade que me deram uma nova dimensão da vida. anos que me trouxeram novas questões, momentos de opção.
e tal como os filhos não vêm com livro de instruções, também nós na nossa vida não temos momentos de aprendizagem sobre 'como ser PAI'. crescemos com o PAI (às vezes) , vemos como ele é e ganhamos referências, conhecemos os PAIS dos nossos amigos (às vezes) e sabemos ou aprendemos a ver aqueles pontos comuns bem como as diferenças entre os deles e os nossos. aqueles com mais sorte, ainda puderam conhecer outros modelos mais antigos e que eram os PAIS dos nossos PAIS, mas aí começamos a entrar naquela geração onde não havia muitas questões mas sim muitas certezas patriarcais. tudo absorvido, juntamente com toda a informação de natureza social mais a informação opcional de cada um, e aí estamos nós, lançados na arena da vida e eis senão quando ... soltam-nos as crianças.
(esta é a primeira parte de uma partilha. continua dentro de umas horas, talvez dias, quem sabe semanas, mas continua!!!)

2 comentários:

duARTEE disse...

e quando nos soltam as crianças ? É aqui que esta o buzilis da questão. Agora que estás na posição inversa só tens de educa-los (mesmo sem livro de instruções) da maneira que te parecer mais adequada, e se fores honesto contigo vais vêr que por mais que queiras não será assim tão difrente da que tiveste. Se não vejamos : o papel da mãe continua a ser o da logistica,(entre muitos outros) sabes por acaso se eles precisam de calças para o Inverno, ou se têm roupa lavada para a escola no dia seguinte, e quando é que é a proxima consulta de pediatria? Por acaso sabes se tens no frigorifico os agriões para a sopa dos meninos? a mãe deve saber e a tua tambem sabia, eu confesso que não sei, e o meu pai, idem. Onde podes ser realmente difrente é na ajuda do despertar dos conhecimentos, respostas a apelar para o raciocinio deles, e por ai fora, mas isso não é novidade da nossa geração, na queles tempos a maioria era menos escolarizada o que não se passa agora. Não tenho duvidas que familias da geração dos teus avós serviriam de exemplo para o que tu queres hoje para a tua (isto depois continua, num jantar de preferência)

paveia disse...

meu caro e querido cunhado :) que estou sempre a considerar, em primeiro lugar é sempre bom dar com um longo comentário como o teu a um post meu. é sinal que surtiu efeito e está lançada mais uma discussão, seja continuada aqui no blog, ou no jantar que mencionas como preferência.
em segundo, e creio que em último lugar, parece-me que que estás a misturar coisas que, fazendo parte integrante do assunto, não fazem parte da minha partilha, ou se o fazem pela sua indissociabilidade, não será por essa perspectiva que apresentas, porque aí traríamos ao mesmo assunto tantas variações, condicionantes, contextos, mulheres... uuuffff!!! eu não sei ainda onde este 'post por partes' que tem como título PAIternidades (não é bonito?) vai parar, mas ... vamos escrevendo, falando, partilhando, aprendendo.
eu, estou a gostar de 'blogar' (temos novo verbo oh! sras. professoras:)
KEEP DA BLOG ALIVE
SANJO FOREVER
FUCK NIKE